Os dias ventosos de verão

By otuga

Ontem fui com a minha mulher e o meu filho a uma daquelas feira que preenchem as tardes de Verão. Neste caso a de Porto Salvo. Por acaso não temos o hábito de ir a feiras, mas como uma colega da minha mulher tinha passado as últimas duas semanas a organizar as festas durante o horário laboral, a minha mulher ficou com curiosidade em ver ao vivo o que tanto a outra tinha organizado. Acabou por ser uma tarde bem passada. O miúdo adorou aqueles carroceis manhosos e andou pela primeira vez de carrinhos de choque. O que foi óptimo porque quem ia a conduzir era eu e já há muitos anos que não conduzia nenhum. Resolvemos vestir por completo o fato de “visitantes de feira” e para além dos divertimentos foleiros comprámos também algodão doce, farturas e maminhas de noviça. O algodão doce foi o miúdo quem pediu. Nunca tinha provado. Acabámos por ser nós os adultos a comê-lo. Acho que lhe fazia confusão a textura do algodão e o facto daquilo derreter na boca. As farturas eram para os adultos, o miúdo não pode comer por ser celíaco. Palavra de honra, se eu tivesse memória digna de um Homo Sapiens tinha poupado os 2 euros. Paguei duas farturas mas a rapariga, gira ainda que com um ar assim a puxar para o chunga, deu-me três. Não sei se foi por me achar lindíssimo (pouco provável, até porque não deu indicações de ver mal), se foi uma acção comercial ou se foi simplesmente porque a fartura que sobrava não servia para nada. A verdade é que a minha mulher comeu uma e eu comi duas. Erro monumental! As farturas, tal como mais tarde me recordei, não são mais que esponjas de óleo. A meio da segunda percebi que tinha cometido um erro magistral, mas já era tarde. À meia-noite ainda sentia o óleo alegremente aos saltos no meu estômago.  Nessa não me apanham outra vez. Ou pelo menos enquanto não me esquecer, o que pelo desempenho recente da minha memória pode ser já amanhã.

Outra coisa que verifiquei com agrado e que tiro como um ensinamento para o resto da minha vida é que os dias ventosos de Verão têm mais benefícios que apenas o de aumentarem a produção eléctrica nacional. Um desses benefícios, possivelmente não menos importante, é o de se poder dar traques à vontade, mesmo a curta distância de outras pessoas. O vento dispersa os odores com extrema eficácia. Eu diria que essa liberdade resulta num assinalável incremento da qualidade de vida.

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