O Paraíso é dos pobres de espírito
Agora é que percebi por que razão o suicídio é visto como o pior pecado que fecha as portas do Paraíso. Na altura em que começaram a vender essa ideia à populaça, a vida era basicamente uma trampa. Tinha de se pagar ao Rei, ao chefe da aldeia, aos líderes religiosos, passava-se fome e quando se havia comida não havia de ser grande coisa, as casas eram mal calafetadas, não havia esgotos ou água canalizada. A história dos esgotos só não era muito grave porque de qualquer maneira as pessoas cheiravam tão mal que provavelmente nem notavam os outros cheiros. E quem tivesse frio e se quisesse aquecer tinha de lombar com toneladas de lenha que provavelmente ia chegar a casa molhada e não ia pegar. Isto porque também não havia isqueiros nem acendalhas. Ou seja, quando vinham com aquela conversa de que se uma pessoa pagasse o dízimo e fizesse o que lhe mandavam, tinha direito a um lugar no Céu, é bem natural que as pessoas pensassem em apressar as férias eternas. Por isso tiveram de arranjar aquela tanga de que quem se suicidasse não recebia o bilhete. Se toda a gente se começasse a suicidar quem é que pagava o dízimo?