Arquivo de Maio, 2008

Ai Cuba, Cuba…

28/Maio/2008

Segundo o Público, o embaixador cubano em Portugal associou a oposição na ilha ao terrorismo internacional, alimentado através dos próprios EUA. Não querendo pôr essa hipótese completamente de lado, ou seja, aceitando que os EUA seriam perfeitamente capazes (tanto que já o fizeram) de utilizar organizações criminosas e/ou terroristas para causar desestabilização em Cuba, não deixa de ser doloroso ver a tentativa de nos convencer que não existe oposição na ilha com queixas e razões legítimas. É passar-nos a todos, que vivemos em democracia e sabemos bem que nunca ninguém está satisfeito, um valente atestado de estupidez.

Quanto ao resto que o embaixador diz, acho que estamos mais ou menos de acordo. Ou seja, a manutenção do embargo por parte dos EUA é inaceitável, Guantanamo é inaceitável, em particular ter uma base militar em território cubano sem autorização do Governo Cubano e sejam quais forem os seus objectivos é inaceitável, que o Bush é um imbecil perigoso, and soión and soión…

Lixo de alta segurança

23/Maio/2008

Como se a situação do lixo em Nápoles não fosse já surreal, o novo governo Berlusconi avançou com algumas medidas paliativas para o problema: acordos com empresas alemãs para a recolha e processamento dos resíduos, e colocação dos aterros que servem a zona de Nápoles sob protecção do exército. Imagino que as tarefas de recolha também tenham de ser feitas sob protecção do exército, uma vez que a Camorra seguramente que não olhará com bons olhos a recolha de lixo por empresas estrangeiras. Se assim for, a Itália será o primeiro país no mundo a transportar lixo doméstico com escolta militar.

Como medidas de médio e longo prazo Berlusconi planeia também a construção de novos aterros e a entrada em funcionamento de diversas incineradoras.

Tentei perceber qual será a causa de toda esta loucura, mas possivelmente não será resultado de uma única causa. Não há duvida de que a corrupção, algo tão característico dos países mediterrânicos e em particular da Itália, terá uma grande parte da responsabilidade no assunto. Pelo que percebo a área de Nápoles tem sido utilizada desde há muitos anos para o despejo ilegal de resíduos industriais de empresas que pagam à Camorra para se ver livre dos seus resíduos. A conclusão que se pode tirar é que de uma forma insidiosa, os aterros, possivelmente os legais e os ilegais, têm vindo a ser esgotados sem a gestão adequada. De tal maneira que já não existe espaço para o lixo de Nápoles. Para além disso, a prática continuada de despejo dos mais variados tipos de resíduos em zonas não preparadas para o efeito, tem tido como consequência a poluição de uma área que sempre foi muito rica em termos de produção agrícola. Já para não falar da poluição dos resíduos aquíferos da zona, com consequências na segurança para o consumo de água.

Como forma de incentivo, a UE já avisou formalmente a Itália de que está desrespeitar as directivas relativamente à gestão de resíduos e de que se não resolvem o problema no prazo de um mês (que acaba antes do o Verão chegar e com ele os verdadeiros problemas de saúde pública), serão alvo de sanções por parte da Comissão Europeia.

Para mim torna-se cada vez mais evidente de que a expressão “isto só em Portugal” é um reflexo do nosso desejo de sermos especiais na nossa pequenez. É porque todos os países têm as suas coisinhas terceiro-mundistas. Esta, por exemplo, só mesmo em Itália.

in Público (http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1329749)

O Paraíso é dos pobres de espírito

13/Maio/2008

Agora é que percebi por que razão o suicídio é visto como o pior pecado que fecha as portas do Paraíso. Na altura em que começaram a vender essa ideia à populaça, a vida era basicamente uma trampa. Tinha de se pagar ao Rei, ao chefe da aldeia, aos líderes religiosos, passava-se fome e quando se havia comida não havia de ser grande coisa, as casas eram mal calafetadas, não havia esgotos ou água canalizada. A história dos esgotos só não era muito grave porque de qualquer maneira as pessoas cheiravam tão mal que provavelmente nem notavam os outros cheiros. E quem tivesse frio e se quisesse aquecer tinha de lombar com toneladas de lenha que provavelmente ia chegar a casa molhada e não ia pegar. Isto porque também não havia isqueiros nem acendalhas. Ou seja, quando vinham com aquela conversa de que se uma pessoa pagasse o dízimo e fizesse o que lhe mandavam, tinha direito a um lugar no Céu, é bem natural que as pessoas pensassem em apressar as férias eternas. Por isso tiveram de arranjar aquela tanga de que quem se suicidasse não recebia o bilhete. Se toda a gente se começasse a suicidar quem é que pagava o dízimo?

Twingly - mais uma ferramenta da Web 2.0

12/Maio/2008

Através de um artigo do Público tomei contacto com o Twingly. Esta é mais uma ferramenta gerada a partir do conceito da Web 2.0. O Twingly apresenta-se como um motor de pesquisa para blogues livre de spam. Com base nesta premissa oferecem querem criar um conjunto de “produtos divertidos”. Um deles é o Twingly Blogstream cuja ideia é ligar os meios de comunicação social tradicionais à Blogosfera. A ideia deste produto é que os criadores de blogues podem ligar os artigos que escrevem às fontes que lhes serviram de inspiração. Por exemplo, se eu escrever um texto com base num artigo do Público, só tenho de fazer ping a esse mesmo artigo e o meu texto aparecerá referido numa lista junto ao próprio artigo do Público. Isto vai bem além dos corriqueiros comentários e mostra muito potencial.

Foi precisamente esse aspecto do Twingly que me chamou a atenção. É curioso como o conceito de Web 2.0, ou seja, a web dinamizada pela participação de todos os internautas, tem conseguido gerar, como que de forma espontânea, um conjunto de produtos e serviços que concretizam de facto a filosofia 2.0. Digo isto porque “Web 2.0″ podia ser apenas uma etiqueta promocional, ou seja, uma buzzword, apenas para efeitos de marketing. Mas felizmente não é isso que se tem verificado. Wikipedia, Wikimapia, YouTube, inúmeros motores de blogues, Digg, DZone, Flicker, etc, são alguns exemplos de ferramentas que facilitam a participação de todos na construção do Conhecimento. Nalguns casos fazem-no oferecendo mecanismos simples de fazer coisas que já era possível fazer antes. Por exemplo, já há uma série de anos que era possível manter um diário. Era questão de construir uma página HTML nova e fazer FTP para a nossa área. Só que este processo não era prático. No fundo os blogues tornaram esta tarefa simples, e como tal, multiplicaram por várias ordens de grandeza a produção de conteúdos por pessoas anónimas.

E é esta facilidade acrescida que dinamiza a Internet.

Abaixo do radar

11/Maio/2008

Este meu blogue voa tão abaixo do radar que nem visitas tem. O meu blogue anterior também não era propriamente profícuo em visitas. Acho que o único cliente habitual era um primo da minha mulher. De resto acho que havia uma ou duas mulheres que lá passavam de vez em quando, mas visitas assíduas não tinha. Suponho que isso queira dizer que o escrevia também não seria de um interesse por aí além. Ainda assim ultrapassou as 12.000 visitas. Se bem que imagino que a maior parte tenham sido por engano. No fundo o maior indicador de interesse de um blogue são os comentários e o meu de facto não tinha grandes comentários. Este em compensação ainda não teve nenhum. Mas também só tem 6 textos.

Não vou ficar para trás

9/Maio/2008

O meu filho tem 4 anos. Acho impressionante que com essa idade os miúdos já estejam tão sujeitos às dinâmicas de grupo e à necessidade de criar estatuto. Os coleguinhas dele levam DVD de desenhos animados para a escola. Eu já tinha reparado nisso, mas nunca tinha prestado atenção. Hoje de manhã foi a mãe que o levou e ele insistiu que tinha de levar um DVD do Pocoyo. Parece que o melhor amigo dele levou uns desenhos animados para mostrar aos amigos, por isso o meu também tem de levar.

Antes disso ele já tinha adoptado uma prática que seguia todas as manhãs e que era a de ir procurar um carrinho que nunca tivesse levado para a escola, pedir-me para lhe escrever o nome, e levá-lo para mostrar aos amigos. Isto está tudo relacionado.

Não tarda nada tenho de lhe começar a comprar ténis de marca porque os amigos também têm.