A Liga dos Campeões por um canudo

4/Junho/2008 by otuga

Parece que quem manda na UEFA não vai lá com cantigas e decidiu mesmo suspender o FêCêPê da participação na Liga dos Campeões. Independentemente de se tratar do Puerto, parece-me que é uma decisão que faz sentido. É claro que o clube ainda pode apresentar recurso, mas algo me diz que não se vão comover com os argumentos do FCP. Aí talvez já com alguma injustiça porque segundo li (e confesso que não segui essa polémica), o Milão também esteve suspenso e conseguiu ganhar o recurso.

Gostava de ter visto a cara do Pinto da Costa e dos seus estrategas que acharam boa ideia não recorrer do castigo imposto ao Porto pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP). Para poderem ter mais um momento de triunfo esfregando os 20 pontos de avanço na cara do resto dos clubes. Os seis pontos de penalização eram risíveis? E os milhões de euros que vão perder por não irem à Liga dos Campeões, também são? Parece que alguém se esqueceu de fazer essas contas.

Vamos agora aguardar por mais umas palavras carregadas de ódio e de fel do portuense cujo sonho seria certamente provocar uma guerra civil entre o Norte e o Sul.

Será que estes são os primeiros passos de sucesso na guerra à corrupção em Portugal?

in Público

Ai Cuba, Cuba…

28/Maio/2008 by otuga

Segundo o Público, o embaixador cubano em Portugal associou a oposição na ilha ao terrorismo internacional, alimentado através dos próprios EUA. Não querendo pôr essa hipótese completamente de lado, ou seja, aceitando que os EUA seriam perfeitamente capazes (tanto que já o fizeram) de utilizar organizações criminosas e/ou terroristas para causar desestabilização em Cuba, não deixa de ser doloroso ver a tentativa de nos convencer que não existe oposição na ilha com queixas e razões legítimas. É passar-nos a todos, que vivemos em democracia e sabemos bem que nunca ninguém está satisfeito, um valente atestado de estupidez.

Quanto ao resto que o embaixador diz, acho que estamos mais ou menos de acordo. Ou seja, a manutenção do embargo por parte dos EUA é inaceitável, Guantanamo é inaceitável, em particular ter uma base militar em território cubano sem autorização do Governo Cubano e sejam quais forem os seus objectivos é inaceitável, que o Bush é um imbecil perigoso, and soión and soión…

Lixo de alta segurança

23/Maio/2008 by otuga

Como se a situação do lixo em Nápoles não fosse já surreal, o novo governo Berlusconi avançou com algumas medidas paliativas para o problema: acordos com empresas alemãs para a recolha e processamento dos resíduos, e colocação dos aterros que servem a zona de Nápoles sob protecção do exército. Imagino que as tarefas de recolha também tenham de ser feitas sob protecção do exército, uma vez que a Camorra seguramente que não olhará com bons olhos a recolha de lixo por empresas estrangeiras. Se assim for, a Itália será o primeiro país no mundo a transportar lixo doméstico com escolta militar.

Como medidas de médio e longo prazo Berlusconi planeia também a construção de novos aterros e a entrada em funcionamento de diversas incineradoras.

Tentei perceber qual será a causa de toda esta loucura, mas possivelmente não será resultado de uma única causa. Não há duvida de que a corrupção, algo tão característico dos países mediterrânicos e em particular da Itália, terá uma grande parte da responsabilidade no assunto. Pelo que percebo a área de Nápoles tem sido utilizada desde há muitos anos para o despejo ilegal de resíduos industriais de empresas que pagam à Camorra para se ver livre dos seus resíduos. A conclusão que se pode tirar é que de uma forma insidiosa, os aterros, possivelmente os legais e os ilegais, têm vindo a ser esgotados sem a gestão adequada. De tal maneira que já não existe espaço para o lixo de Nápoles. Para além disso, a prática continuada de despejo dos mais variados tipos de resíduos em zonas não preparadas para o efeito, tem tido como consequência a poluição de uma área que sempre foi muito rica em termos de produção agrícola. Já para não falar da poluição dos resíduos aquíferos da zona, com consequências na segurança para o consumo de água.

Como forma de incentivo, a UE já avisou formalmente a Itália de que está desrespeitar as directivas relativamente à gestão de resíduos e de que se não resolvem o problema no prazo de um mês (que acaba antes do o Verão chegar e com ele os verdadeiros problemas de saúde pública), serão alvo de sanções por parte da Comissão Europeia.

Para mim torna-se cada vez mais evidente de que a expressão “isto só em Portugal” é um reflexo do nosso desejo de sermos especiais na nossa pequenez. É porque todos os países têm as suas coisinhas terceiro-mundistas. Esta, por exemplo, só mesmo em Itália.

in Público (http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1329749)

O Paraíso é dos pobres de espírito

13/Maio/2008 by otuga

Agora é que percebi por que razão o suicídio é visto como o pior pecado que fecha as portas do Paraíso. Na altura em que começaram a vender essa ideia à populaça, a vida era basicamente uma trampa. Tinha de se pagar ao Rei, ao chefe da aldeia, aos líderes religiosos, passava-se fome e quando se havia comida não havia de ser grande coisa, as casas eram mal calafetadas, não havia esgotos ou água canalizada. A história dos esgotos só não era muito grave porque de qualquer maneira as pessoas cheiravam tão mal que provavelmente nem notavam os outros cheiros. E quem tivesse frio e se quisesse aquecer tinha de lombar com toneladas de lenha que provavelmente ia chegar a casa molhada e não ia pegar. Isto porque também não havia isqueiros nem acendalhas. Ou seja, quando vinham com aquela conversa de que se uma pessoa pagasse o dízimo e fizesse o que lhe mandavam, tinha direito a um lugar no Céu, é bem natural que as pessoas pensassem em apressar as férias eternas. Por isso tiveram de arranjar aquela tanga de que quem se suicidasse não recebia o bilhete. Se toda a gente se começasse a suicidar quem é que pagava o dízimo?

Twingly - mais uma ferramenta da Web 2.0

12/Maio/2008 by otuga

Através de um artigo do Público tomei contacto com o Twingly. Esta é mais uma ferramenta gerada a partir do conceito da Web 2.0. O Twingly apresenta-se como um motor de pesquisa para blogues livre de spam. Com base nesta premissa oferecem querem criar um conjunto de “produtos divertidos”. Um deles é o Twingly Blogstream cuja ideia é ligar os meios de comunicação social tradicionais à Blogosfera. A ideia deste produto é que os criadores de blogues podem ligar os artigos que escrevem às fontes que lhes serviram de inspiração. Por exemplo, se eu escrever um texto com base num artigo do Público, só tenho de fazer ping a esse mesmo artigo e o meu texto aparecerá referido numa lista junto ao próprio artigo do Público. Isto vai bem além dos corriqueiros comentários e mostra muito potencial.

Foi precisamente esse aspecto do Twingly que me chamou a atenção. É curioso como o conceito de Web 2.0, ou seja, a web dinamizada pela participação de todos os internautas, tem conseguido gerar, como que de forma espontânea, um conjunto de produtos e serviços que concretizam de facto a filosofia 2.0. Digo isto porque “Web 2.0″ podia ser apenas uma etiqueta promocional, ou seja, uma buzzword, apenas para efeitos de marketing. Mas felizmente não é isso que se tem verificado. Wikipedia, Wikimapia, YouTube, inúmeros motores de blogues, Digg, DZone, Flicker, etc, são alguns exemplos de ferramentas que facilitam a participação de todos na construção do Conhecimento. Nalguns casos fazem-no oferecendo mecanismos simples de fazer coisas que já era possível fazer antes. Por exemplo, já há uma série de anos que era possível manter um diário. Era questão de construir uma página HTML nova e fazer FTP para a nossa área. Só que este processo não era prático. No fundo os blogues tornaram esta tarefa simples, e como tal, multiplicaram por várias ordens de grandeza a produção de conteúdos por pessoas anónimas.

E é esta facilidade acrescida que dinamiza a Internet.

Abaixo do radar

11/Maio/2008 by otuga

Este meu blogue voa tão abaixo do radar que nem visitas tem. O meu blogue anterior também não era propriamente profícuo em visitas. Acho que o único cliente habitual era um primo da minha mulher. De resto acho que havia uma ou duas mulheres que lá passavam de vez em quando, mas visitas assíduas não tinha. Suponho que isso queira dizer que o escrevia também não seria de um interesse por aí além. Ainda assim ultrapassou as 12.000 visitas. Se bem que imagino que a maior parte tenham sido por engano. No fundo o maior indicador de interesse de um blogue são os comentários e o meu de facto não tinha grandes comentários. Este em compensação ainda não teve nenhum. Mas também só tem 6 textos.

Não vou ficar para trás

9/Maio/2008 by otuga

O meu filho tem 4 anos. Acho impressionante que com essa idade os miúdos já estejam tão sujeitos às dinâmicas de grupo e à necessidade de criar estatuto. Os coleguinhas dele levam DVD de desenhos animados para a escola. Eu já tinha reparado nisso, mas nunca tinha prestado atenção. Hoje de manhã foi a mãe que o levou e ele insistiu que tinha de levar um DVD do Pocoyo. Parece que o melhor amigo dele levou uns desenhos animados para mostrar aos amigos, por isso o meu também tem de levar.

Antes disso ele já tinha adoptado uma prática que seguia todas as manhãs e que era a de ir procurar um carrinho que nunca tivesse levado para a escola, pedir-me para lhe escrever o nome, e levá-lo para mostrar aos amigos. Isto está tudo relacionado.

Não tarda nada tenho de lhe começar a comprar ténis de marca porque os amigos também têm.

Um prato cheio demais

16/Abril/2008 by otuga

Por alguma razão tive uma recordação de algo que se passou há já 19 anos. Daquelas coisas que na altura não parecem ter significado, mas que olhadas de muito longe tomam outro sentido. Em 1987 fiz uma viagem maravilhosa de barco com mais 400 miúdos e miúdas de diferentes nacionalidades. Metade espanhóis, 15 portugueses e os restantes da Ibero-América, incluindo o Brasil e ainda um grupo de Norte-Americanos que também falavam espanhol. Passámos por vários países e em cada um deles havia sempre um ou mais eventos de recepção a toda a comitiva. Só por curiosidade, quando visitámos a República Dominicana fomos ao palácio presidencial e cada um de nós, mais os monitores e professores, cumprimentámos o Presidente da Républica da altura. Não lhe gabo a sorte. O senhor teve de apertar a mão a quase 500 pessoas! Um dos descendentes de Cristóvão Colombo, oficial da Marinha Dominicana, segredava-lhe ao ouvido o país de cada um dos visitantes. O pobre Presidente, um senhor já muito velhote, que via e ouvia muito mal, desejava com muita simpatia felicidades para cada um de nós e para os seus respectivos países. Imagine-se quanto tempo não teve o pobre senhor de estar ali em pé e de mão estendida. Hei-de tentar descobrir mais sobre esta personagem.

Bom, mas na realidade, a memória que me visitou foi outra. Como referi, havia sempre um qualquer evento de recepção a esta enorme entourage. Esses eventos costumavam incluir uma refeição, num jardim ou clube de campo, ao estilo self-service. Os 400 miúdos e miúdas formavam a filinha e lá iam andando de prato na mão e recebendo um pouco disto, mais ou pouco daquilo. Ora o que tipicamente acontecia era que os primeiros saíam da fila com um pato que era mais uma pilha de comida e os do fim da fila saíam com um prato com pouca ou nenhuma comida. Que eu me lembre nunca fiquei sem comida, mas por mais que uma vez tive direito a uma pilha de comida. Pilha essa que dificilmente uma pessoa normal conseguia comer na totalidade. Por alguma razão nunca me ocorreu o absurdo e a injustiça da situação. Lembro-me de um dos meus companheiros de viagem, português, estar uma vez a protestar em relação à situação. Não me recordo muito bem, mas tenho a ideia de que olhei para o prato e terei pensado que realmente estava ali comida a mais. E lembro-me que fiz um esforço enorme por comer tudo.

Espero que pelo menos a partir desse dia tenha passado a limitar a quantidade de comida que aceitava na fila. O que é facto é que hoje tenho aversão a pratos cheios demais e não gosto de deixar comida no prato.

Sir Arthur C. Clarke: 16 de Novembro de 1917 - 19 de Março de 2008

19/Março/2008 by otuga

Foi com um suave choque que ouvi na rádio a notícia da morte de Arthur C. Clarke. O meu primeiro contacto com este homem que disse que gostaria de ser recordado como um escritor, foi não foi através da sua escrita mas antes de uma série documental designada por “O Mundo Misterioso de Arthur C. Clarke” (Arthur C. Clarke’s Mysterious World). Nesta série, Arthur analisava assuntos relacionados com o paranormal ou de alguma forma misteriosos, tentando sempre procurar uma explicação científica para cada um dos casos. Depois desta série assisti fascinado ao perturbador “2001 Odisseia no Espaço” (2001: A Space Odyssey) realizado pelo não menos perturbador (perturbado?) Stanley Kubrick. Ainda era um miúdo pelo que aquele final me deixou seriamente confuso. Aliás, assistindo novamente ao filme e passados uns bons anos não me sinto menos confuso.

Só passados alguns anos é que tomei contacto com a sua obra escrita. Primeiro li o livro “2061: Odyssey Three“. Para dizer a verdade achei chato e desinteressante. Nunca cheguei a pegar nos dois primeiros livros da série Odisseia no Espaço. Mas mais tarde decidi voltar a tentar e li “3001: The Final Odyssey“. Aqui sim, foi despertado o fascínio pela obra escrita de Arthur C. Clarke. Neste livro era dada a explicação para o mistério do Monolito, mas melhor do que isso, era exposta a evolução social e tecnológica da Humanidade entre 2061 e 3001, ano em que o corpo do astronauta Frank Poole(1) é recuperado do sua campa espacial e ressuscitado. A partir deste livro comecei a procurar activamente livros escritos por Arthur C. Clarke. Li toda a série Rama - Rendezvous with Rama, Rama II,The Garden of Rama e Rama Revealed, todos escritos em conjunto com Gentry Lee, The Hammer of God, The Trigger, escrito com Michael P. Kube-McDowell e The Light of Other Days escrito com Stephen Baxter. Estes livros representam milhares de páginas de propostas provocadoras e intelectualmente estimulantes, histórias cativantes e um desejo infinito de perceber até onde a Humanidade poderá ir e o papel da tecnologia e da ciência nesse caminho. E centenas de horas de entretenimento.

Obrigado, Sir Arthur C. Clarke.

1 – Frank Poole é o astronauta que foi assassinado pelo computador HAL 9000 durante uma saída para o exterior da nave Discovery One.

Oh não…!

14/Março/2008 by otuga

Acabei por cair numa das coisas que detesto no mundo dos blogues. Sempre achei uma parvoíce aquele pessoal que não sabe bem o que é um blogue e cria um para ver como é. Mas depois do primeiro texto nada acontece. E eu fiz exactamente a mesma coisa :-(.

No meu caso isso aconteceu porque fiquei com menos disponibilidade. Deixei de ficar confortável com a perspectiva de escrever os textos no emprego. E em casa não tenho paciência. E há tanta série boa para ver na tv. E tenho o meu livro de ficção científica. E estou a aprender Ruby. E fiz uma assinatura electrónica da New Scientist da qual ainda só li para aí uns 45% de uma das 9 revistas que já recebi. Como é que vou escrever sobre o que acontece no mundo e que de qualquer maneira não está ao meu alcance melhorar? Cada vez mais me convenço de que trabalhar ocupa demasiado tempo útil da vida das pessoas. Não está certo!